Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.
Como é a minha segunda-feira quando tudo dá errado e eu publico assim mesmo
Segunda-feira passada não funcionou.
Quero ser específica porque vago não serve pra ninguém e eu estou cansada de conteúdo sobre rotina que descreve problema em termos tão gerais que não toca em nada real.
O Apollo não dormiu no horário. Ficou acordado duas horas além do normal, pedindo água, pedindo colo, pedindo uma coisa e depois outra, naquele modo em que ele parece ter energia infinita enquanto eu estou visivelmente no limite. Quando finalmente dormiu, eram quase quatro da tarde.
Eu tinha planejado escrever durante o sono dele. Era o bloco de tempo que eu tinha separado. O único do dia.
Sentei. Abri o documento. Li o que tinha escrito dois dias antes o começo de um texto que eu achava que tinha potencial e não consegui entrar nele. A frase que eu precisava escrever não vinha. Ficou vinte minutos assim. Trinta. Apagando e reescrevendo o mesmo parágrafo.
Às quatro e quarenta eu desisti do texto que estava tentando escrever.
Abri um documento em branco e escrevi sobre exatamente o que estava acontecendo. O filho que não dormiu. A tarde que não foi. A frase que não veio. O vazio específico de sentar na frente do texto com vontade de criar e não ter acesso ao que precisava.
Escrevi esse texto em vinte minutos.
Publiquei.
E é sempre assim. Invariavelmente. O texto que nasce do dia ruim conecta de um jeito que o texto planejado às vezes não alcança. Não porque dia ruim é melhor matéria-prima. Mas porque quando você está no limite, os filtros caem. Você não tem energia pra polir, pra calcular efeito, pra escolher a versão mais apresentável de si mesma.
Você escreve o que é. E o que é tem uma textura que o que deveria ser nunca vai ter.
Mas eu quero ser honesta sobre o outro lado também.
Nem sempre dá. Tem segunda-feira que não vira texto nenhum. Que eu fecho o computador às cinco e aceito que aquele dia não produziu nada publicável. Que eu fico com a sensação desconfortável de não ter feito o que planejei e não transformo esse desconforto em narrativa salvadora.
Às vezes é só um dia que não funcionou.
E aprender a distinguir os dois o dia ruim que tem algo pra dizer e o dia ruim que precisa só de descanso também faz parte da rotina real.
O que eu não faço mais é fingir que os dias ruins não existem. Que minha semana é uma sequência organizada de blocos produtivos onde cada hora rende o que deveria render.
Não rende. E fingir que rende é um desserviço pra qualquer pessoa que está tentando criar conteúdo e se sentindo inadequada porque a própria rotina não cabe no modelo que alguém vendeu pra ela.
A rotina real é irregular. É fragmentada. É feita de intenções e interrupções e retomadas e algumas segundas-feiras que não funcionam de jeito nenhum.
E o conteúdo que nasce dela imperfeito, cru, honesto é exatamente por isso que fica.
Não tenho tempo para criar conteúdo e outras mentiras que eu mesma acreditei por muito tempo
