Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.
Tem uma cena acontecendo na sua vida agora que seria o melhor conteúdo que você já publicou e você não está vendo
Existe uma cena acontecendo na sua vida nesse exato momento que seria um conteúdo poderoso.
Não estou falando de forma motivacional. Estou falando de forma literal.
Alguma coisa aconteceu hoje ou ontem, ou nessa semana que carrega algo que muita gente sente e que ninguém nomeou ainda. Um momento pequeno que parece insignificante mas que, se você parasse pra olhar com atenção, revelaria algo sobre como você pensa, como você vive, como você processa o que acontece ao redor.
E você passou por isso sem registrar. Sem perceber. Deixou pra trás como se fosse mais uma coisa banal num dia de coisas banais.
Não foi banal. Você só não estava olhando do jeito certo.
Eu quero falar sobre por que isso acontece. Não de forma abstrata de forma muito específica, porque eu passei anos nesse padrão e entendo exatamente onde a percepção trava.
O filtro que elimina suas melhores histórias antes de você perceber
Existe um filtro mental que a maioria dos criadores de conteúdo opera sem saber que está operando. Esse filtro funciona assim: quando algo acontece, antes de qualquer processamento consciente, o cérebro já avalia isso é suficientemente interessante pra conteúdo?
E o critério de suficientemente interessante é herdado de tudo que você consumiu sobre o que conteúdo bom deve ser. De posts que viralizaram. De criadores que você admira. De cursos que ensinaram que você precisa de gancho forte, de história com virada, de momento de transformação claro.
Tudo que não se encaixa nesse critério é descartado automaticamente. Nem chega ao processamento consciente. Simplesmente não existe como possibilidade.
O problema é que esse critério foi construído para identificar o tipo errado de história.
Ele identifica o extraordinário. O dramático. O que claramente se destaca do comum. E enquanto você está com esse filtro ativado, o comum passa invisível que é exatamente onde as histórias mais poderosas estão.
Porque o comum é o que todo mundo vive. E o que todo mundo vive, quando nomeado com precisão e honestidade, cria o tipo de reconhecimento que o extraordinário raramente alcança.
O que acontece quando você desativa o filtro
Eu tenho uma prática que parece simples e que muda completamente a relação com as ideias.
No final de cada dia não todos os dias, mas nos dias em que lembro eu me faço uma pergunta específica. Não “o que aconteceu hoje?” Essa pergunta é grande demais e gera respostas genéricas.
A pergunta é: “O que eu notei hoje que normalmente teria ignorado?”
É diferente. Ela já pressupõe que você está procurando o que passou despercebido. Que você está olhando pra fresta, não pra janela principal.
E quando você faz essa pergunta com honestidade, coisas aparecem.
O jeito específico que o Apollo segurou a colher essa manhã com as duas mãos, sério, como se fosse a tarefa mais importante do mundo e a sensação estranha que eu tive olhando pra ele de que aquilo era uma versão de determinação que adultos perdem em algum ponto que não conseguem identificar.
A hesitação de dois segundos antes de enviar um áudio pra uma amiga e o que essa hesitação revelou sobre como eu filtro o que mostro mesmo pras pessoas próximas.
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A música que tocou no mercado e que me levou de volta pra um momento de anos atrás tão vividamente que eu parei no meio do corredor por um segundo sem saber muito bem onde estava.
Nenhum desses momentos parece história no sentido clássico. Nenhum tem virada dramática, conflito resolvido, lição clara no final.
Mas todos eles carregam algo. Uma observação sobre como a vida funciona que não está sendo dita em lugar nenhum. Um sentimento que muita gente tem e que nunca encontrou palavras.
Isso é o material.
Como transformar observação em conteúdo sem perder o que tinha de valioso
O erro mais comum quando as pessoas começam a prestar mais atenção nos momentos cotidianos é querer elaborar demais. Pegar a observação e construir em cima adicionar contexto, adicionar lição, adicionar estrutura até que o que sobra é uma casca do que começou.
A observação original tinha algo vivo. A versão elaborada muitas vezes não tem.
O que funciona é ir na direção contrária. Em vez de construir em cima, aprofundar pra dentro. Em vez de adicionar camadas, retirar o que não é essencial até chegar no núcleo que é a sensação específica, o detalhe real, o momento exato.
E deixar esse núcleo aparecer no texto sem cobri-lo com explicação.
O leitor não precisa que você explique o que o momento significa. Ele precisa que você descreva o momento com precisão suficiente para que ele encontre o significado por conta própria. E quando ele encontra por conta própria, o texto fica de um jeito que o texto explicado nunca fica.
Confiança no leitor é a técnica narrativa mais subestimada que existe.
A cena que está acontecendo na sua vida agora a que você ainda não percebeu que é conteúdo não precisa de elaboração. Precisa de atenção.
Começa aí.
