Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.
A Newsletter que eu quase não mandei e que mais pessoas responderam na minha vida inteira.
Era uma quinta-feira. Eu tinha planejado mandar um e-mail sobre narrativa de vulnerabilidade bem escrito, bem estruturado, com exemplos, com profundidade.
Como é a minha rotina real segunda-feira quando tudo dá errado e eu publico assim mesmo
Não consegui escrever esse e-mail.
Fiquei olhando pra tela por quarenta minutos. Escrevi o começo três vezes. Apaguei três vezes. A frase que eu precisava pra abrir não vinha, e sem ela o resto não saía.
Às oito da noite, com o Apollo dormindo e a semana quase no fim, eu abri um documento em branco e escrevi o seguinte:
Eu devia ter mandado um e-mail melhor essa semana. Um mais elaborado, mais útil, mais digno do tempo de vocês. Não consegui. Hoje foi um desses dias em que a criação simplesmente não abriu. Tentei três vezes, não saiu. Então vou mandar isso o relato honesto de uma quinta-feira em que a escrita não apareceu porque parece mais verdadeiro do que fingir que não aconteceu.
E continuei por mais alguns parágrafos descrevendo o dia. Sem estrutura. Sem narrativa construída. Sem lição no final.
Fiquei com o mouse em cima do botão de enviar por uns dois minutos.
Mandei.
Foram mais de quarenta respostas. Número que eu nunca tinha tido em nenhum e-mail anterior. Pessoas contando seus próprios dias em que a criação não abriu. Pessoas agradecendo por eu ter dito que isso acontece. Pessoas dizendo que achavam que era só com elas.
Eu fiquei olhando pras respostas chegando sem conseguir entender completamente.
Não porque não acreditava no poder da honestidade eu acredito, é a base de tudo que faço. Mas porque existe uma diferença entre acreditar numa coisa intelectualmente e ver ela se confirmar de forma tão direta.
O e-mail mais imperfeito que eu já mandei foi o que mais conectou.
Isso me obrigou a pensar sobre o que a newsletter realmente é. Porque durante muito tempo eu tratei ela como uma extensão do blog conteúdo mais longo, mais elaborado, entregue diretamente na caixa de entrada. Um canal a mais no ecossistema, seguindo a mesma lógica dos outros.
Mas não é isso. Ou não é só isso.
A newsletter é o único espaço onde a relação é direta. Sem algoritmo decidindo quem vê. Sem feed competindo pela atenção. Sem o ruído visual de uma plataforma. É um e-mail, chegando na caixa de entrada de uma pessoa que, em algum momento, decidiu que queria me ouvir.
Esse é um grau de permissão completamente diferente do que qualquer rede social oferece.
E esse grau de permissão merece um tipo diferente de conteúdo. Não mais polido mais honesto. Não mais estruturado mais próximo. Não o melhor texto que eu consigo escrever, mas o mais verdadeiro que eu consigo ser naquele momento.
É o lugar onde o rascunho tem espaço. Onde o pensamento que não fechou completamente pode existir sem precisar de conclusão. Onde eu posso mandar uma quinta-feira que não funcionou e essa quinta-feira tem valor não apesar da imperfeição, mas por causa dela.
Se você ainda não assina, o link está na bio do Instagram.
Mas te aviso com honestidade: não é todo e-mail que vai ser elaborado. Às vezes vai ser uma quinta-feira que não funcionou.
E às vezes vai ser exatamente isso que você precisava ler.
