Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.
Não tenho tempo para criar conteúdo e outras mentiras que eu mesma acreditei por muito tempo
Eu preciso ser honesta sobre algo antes de continuar.
Quando eu ouço “não tenho tempo para criar conteúdo”, eu não ouço problema de agenda. Eu ouço algo mais fundo. Algo que eu mesma carregava quando usava essa frase e eu usava com frequência, com convicção, achando que era verdade.
Não era.
Ou melhor: era verdade de superfície. Cobria algo que eu não queria olhar de frente.
Mas vamos começar pelo que parece óbvio antes de chegar no que não é.
Sim, mãe de filho pequeno tem menos tempo. Sim, quem trabalha fora tem menos tempo. Sim, existem fases da vida em que a disponibilidade real para criar é mínima e ignorar isso seria desonesto da minha parte.
Esse texto não é para dizer que o tempo existe e você está se enganando. Às vezes o tempo realmente não existe. E forçar criação num momento em que a energia e o espaço mental não estão disponíveis gera conteúdo ruim e esgotamento garantido.
Mas essa não é a situação da maioria das pessoas que me mandam essa mensagem.
A maioria tem tempo. O que não tem é clareza suficiente sobre o que quer fazer com ele, coragem suficiente para começar, ou ambos.
E aí o tempo vira desculpa conveniente. Porque tempo é externo. Tempo é culpa da agenda, da rotina, das circunstâncias. Tempo não te coloca diante de perguntas difíceis sobre por que você não está criando mesmo quando poderia.
O que está escondido por baixo da falta de tempo
Eu vou contar o que estava escondido embaixo da minha versão dessa frase.
Medo de que o conteúdo fosse ruim. Medo de publicar e não ter resposta. Medo de me expor e descobrir que o que eu tinha a dizer não interessava a ninguém. Medo de começar e não conseguir manter. Medo de que as pessoas que já me acompanhavam ficassem desapontadas se eu tentasse algo diferente.
Era mais fácil não começar do que começar e descobrir qualquer uma dessas coisas.
E “não tenho tempo” era a história que eu contava pra mim mesma que protegia desse medo. Que jogava o problema pra fora pra agenda, pra rotina, pra circunstâncias em vez de reconhecer que o problema era interno.
Não estou dizendo que você tem o mesmo medo que eu tinha. Talvez o seu seja diferente. Talvez seja medo de julgamento. Medo de ser comparada. Medo de não saber por onde começar e a paralisia que vem com isso. Medo de parecer presunçosa por achar que tem algo a dizer que vale a pena alguém ler.
Mas aposto que tem algum medo lá. Porque quando não tem quando o único obstáculo é mesmo logístico a pessoa encontra os quinze minutos. A pessoa grava no carro. A pessoa escreve no celular enquanto espera o filho terminar a aula. A pessoa acha um jeito porque quer de verdade.
Quando não acha, geralmente é porque uma parte dela está aliviada por não ter achado.
O que fazer com isso
Não é uma resposta fácil. Não vou te dar cinco dicas pra otimizar a agenda e liberar tempo pra criação. Não é isso.
É uma pergunta.
Se o tempo aparecesse amanhã se você acordasse com duas horas livres sem obrigação nenhuma você criaria?
Se a resposta for sim sem hesitação, o problema é logístico e tem solução logística. Olha pro dia, encontra os fragmentos, cria nesses fragmentos.
Se você hesitou antes de responder, fica com essa hesitação um pouco. Ela sabe algo que a desculpa do tempo está cobrindo.
Eu não resolvi meu medo antes de começar. Comecei com ele presente, desconfortável, me fazendo questionar cada texto que eu publicava. Com o tempo o medo foi ficando menor não porque desapareceu, mas porque a prática foi ficando maior do que ele.
Ainda está lá. Só não cabe mais na frente.
Você não precisa resolver o medo pra começar.
Precisa reconhecer que ele existe. E que o tempo, na maioria das vezes, é só o nome que você deu pra ele.
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