Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.
O que as pessoas que ficam têm em comum e o que isso me ensinou sobre pra quem eu realmente crio.
Teve um momento em que eu parei de tentar entender minha audiência pelos números e comecei a entender pelas mensagens.
O que faz as pessoas ficarem?
Os números dizem algumas coisas. Dizem faixa etária, localização, horário de engajamento, gênero predominante. São úteis pra alguns tipos de decisão. Mas não dizem o que importa quando você quer entender de verdade quem está do outro lado.
O que diz são as mensagens. As longas, especialmente. Aquelas que a pessoa claramente escreveu de verdade, que não são “amei!” mas são um parágrafo ou dois às vezes mais contando algo da própria vida que o seu conteúdo tocou.
Eu comecei a guardar essas mensagens. Não de forma organizada a princípio, mas porque sentia que elas tinham algo a me ensinar que os números não tinham.
E depois de um tempo olhando pra esse conjunto de mensagens, percebi O que faz as pessoas ficarem? algo que não esperava.
As pessoas que me escrevem dessa forma com profundidade, com entrega, contando algo real de si mesmas não têm o mesmo perfil. Não têm a mesma profissão, a mesma idade, o mesmo momento de vida, o mesmo objetivo com a criação de conteúdo.
O que faz as pessoas ficarem?
O que elas têm em comum é outra coisa.
Todas elas, em algum ponto da mensagem, dizem uma variação da mesma frase.
“Eu sentia isso mas não sabia nomear.”
Ou: “Eu achava que era só eu que pensava assim.”
Ou: “Você disse em voz alta algo que eu estava carregando calada.”
Não estão falando de informação. Não estão dizendo “aprendi muito com você” ou “seus conteúdos são muito úteis”. Estão falando de reconhecimento. De ver algo de si mesmas num texto que outra pessoa escreveu. De sentir que um sentimento que parecia exclusivamente delas tinha palavras e que essas palavras existiam porque alguém teve a coragem de dizê-las.
Isso mudou a forma como eu penso sobre pra quem eu crio.
Eu não crio para uma persona específica. Não crio para mãe empreendedora de 28 a 35 anos que quer crescer no digital. Esse recorte é real como descrição estatística, mas é inútil como orientação criativa.
Eu crio para quem está carregando algo sem nome.
Pra quem sente coisas que parecem grandes demais ou estranhas demais ou específicas demais pra mencionar. Pra quem olha pro próprio conteúdo e pensa não tenho nada interessante a dizer e por baixo desse pensamento tem medo de que seja verdade. Pra quem quer criar de forma autêntica mas não sabe o que autêntico significa na prática, além de uma palavra bonita que todo mundo usa.
Essas pessoas não têm a mesma profissão. Não têm a mesma rotina. Não estão no mesmo nicho.
Mas têm a mesma necessidade de se ver. De encontrar em palavras de outra pessoa algo que estava dentro delas sem forma.
E quando eu crio pensando nisso não no avatar, não nos números, não na persona algo muda na qualidade do que sai.
Porque não estou mais tentando acertar um alvo demográfico. Estou tentando ser honesta o suficiente pra que quem precisa encontre.
E quem encontra, fica.
Não pelo conteúdo. Por algo que vai além do conteúdo por se sentir menos sozinha com o que estava carregando.
Isso é comunidade de verdade.
Não seguidores. Não audiência. Pessoas que ficam porque encontraram aqui um lugar onde algo dentro delas tem nome.
