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Ser mãe e criadora de conteúdo ao mesmo tempo quase me fez desistir até eu entender que o caos era o conteúdo

Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.Ser mãe e criadora de conteúdo ao mesmo tempo quase me fez desistir até eu entender que o caos era o conteúdo como criar conteúdo sendo mãe

Teve um período em que eu acordava todo dia com a mesma sensação.

Era uma mistura de culpa e frustração que eu não conseguia separar direito. Culpa porque quando eu estava criando conteúdo, eu sentia que deveria estar presente com o Apollo. Frustração porque quando eu estava presente com o Apollo, eu via o tempo passar e o conteúdo não sendo feito.

Eu vivia num estado permanente de estar no lugar errado.

E o pior é que isso não estava gerando resultado em nenhuma das duas frentes. O conteúdo que eu criava nesse estado era apagado, sem vida, feito por obrigação. E a presença com o Apollo era ansiosa, olho no celular, cabeça em outro lugar.

Eu estava perdendo os dois. como criar conteúdo sendo mãe

Demorei pra perceber que o problema não era a falta de tempo. Era o modelo mental que eu tinha sobre como criação de conteúdo deveria funcionar e esse modelo era completamente incompatível com a realidade de ter um filho de dois anos em casa.

O modelo que não funciona

O modelo que a maioria dos cursos e conteúdos sobre produtividade criativa vende pressupõe uma coisa básica: blocos de tempo ininterruptos. A ideia de que você precisa de duas, três horas contínuas de foco para criar algo bom. Que interrupção destrói o processo criativo. Que você precisa de um ambiente controlado, de silêncio, de condições ideais.

Esse modelo funciona pra quem não tem filho pequeno em casa.

Pra quem tem, é uma receita de frustração permanente. Porque blocos de tempo ininterruptos não existem. O silêncio não existe. As condições ideais não existem. E se você fica esperando por elas, você não cria nada.

Eu passei meses esperando por condições que nunca chegavam. E me sentindo inadequada por isso. Como se o problema fosse eu minha falta de disciplina, minha incapacidade de encontrar tempo, minha falha em equilibrar maternidade e trabalho.

Não era eu. Era o modelo.

O que funciona de verdade

O que funciona é criar em fragmentos e tratar cada fragmento como completo em si mesmo.

Três parágrafos enquanto o Apollo dorme. Isso é um fragmento. Completo. Válido. Não é rascunho de algo maior que você vai terminar quando tiver mais tempo porque mais tempo não vai chegar. É o que existe agora, e é suficiente.

Uma frase anotada no celular enquanto ele brinca no chão. Um parágrafo ditado por áudio no banheiro. Uma ideia registrada em duas linhas antes de dormir quando você já está no limite mas o pensamento estava bom demais pra deixar passar.

Isso não é como os livros de produtividade descrevem o processo criativo. Mas é como o processo criativo real funciona quando você tem uma criança de dois anos que não respeita seu Pomodoro.

E sabe o que eu descobri quando parei de lutar contra isso e comecei a trabalhar com isso?

A qualidade não caiu. Em alguns casos, melhorou.

Porque escrever em fragmentos exige que cada parte seja densa. Você não tem tempo de enrolar, de fazer aquecimento criativo, de escrever três parágrafos ruins antes de chegar no bom. Você tem vinte minutos e precisa ir direto ao que importa. Isso cria um tipo de precisão que a escrita em bloco longo às vezes não exige.

Quando o caos vira conteúdo

Mas tem algo mais importante do que a logística. Tem o momento em que eu parei de ver a maternidade como obstáculo para a criação e comecei a vê-la como a maior fonte de material que eu tenho.

O Apollo derrubou o suco nas minhas anotações. Virou texto.

Ele arrancou meu fone no meio de uma gravação e riu. Virou texto.

O dia em que eu não consegui criar nada porque ele estava doente e eu estava exausta e fiquei olhando pra tela por quarenta minutos sem digitar uma palavra. Virou texto.

A sensação de não saber se estou fazendo certo. O medo de estar perdendo coisas dele enquanto trabalho e perdendo trabalho enquanto estou com ele. A beleza estranha de um momento de silêncio numa tarde em que ele dormiu mais cedo do que o normal.

Tudo virou texto.

Não porque eu transformei drama em conteúdo de forma calculada. Mas porque eu parei de separar a minha vida de criadora da minha vida de mãe como se fossem dois mundos que precisam ficar em compartimentos diferentes.

Eles não precisam. Na verdade, quando você os integra, os dois ficam mais ricos.

O conteúdo fica mais real porque vem de uma vida que está realmente sendo vivida, não de um estúdio isolado onde tudo é controlado. E a maternidade fica mais presente porque você passa a prestar atenção nos detalhes nos gestos, nos sons, nas cenas pequenas de um jeito que a rotina automática não permite.

O que ninguém fala sobre consistência sendo mãe como criar conteúdo sendo mãe

Consistência, quando você tem filho pequeno, não parece com consistência de livro de produtividade.

Não é a linha reta. Não é postar todo dia sem falhar. Não é o calendário editorial perfeito executado sem desvio.

É a capacidade de retomar. Sempre. Depois de uma semana ruim, você retoma. Depois de um mês difícil, você retoma. Sem fazer cerimônia, sem post de “voltei”, sem processar publicamente a interrupção como se fosse fracasso.

Você simplesmente retoma.

E com o tempo, a soma de todas as retomadas cria algo que de fora parece consistência. Que de dentro é só a prática de não parar definitivamente.

Se você está tentando criar conteúdo com filho pequeno em casa e se sentindo inadequada por não conseguir manter o ritmo que as pessoas sem filho mantêm esse sentimento não é sinal de que você está fazendo errado. É sinal de que você está usando o critério errado pra avaliar o que está fazendo certo.

O critério certo não é frequência perfeita. É não ter parado de vez.

Você ainda está aqui. Ainda está criando, mesmo que em fragmentos. Mesmo que em vinte minutos roubados antes de ele acordar.

Isso é consistência real.

O resto é só o modelo que não foi feito pra você.

Diário da Criadora Storytelling

Bom… se você chegou até aqui, talvez esteja sentindo a mesma coisa que eu senti por muito tempo…

criar conteúdo…
mas sentir que ninguém realmente conecta

explicar…
mas não ser lembrada

postar…
mas parecer que tá falando sozinha

Foi exatamente nesse lugar que eu estava… até perceber uma coisa que mudou tudo 👉🏻

o problema não era o conteúdo

era a forma como eu estava contando.

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luênia silva

CRIADORA UGC E CONTEÚDO CRIATIVO

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Bom… se você chegou até aqui, talvez esteja sentindo a mesma coisa que eu senti por muito tempo…

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mas sentir que ninguém realmente conecta

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mas parecer que tá falando sozinha

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