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A emoção que a maioria das criadoras de conteúdo esconde por medo e por que a raiva autêntica é uma das forças narrativas mais honestas que existem.

Esse é o diário de uma storyteller. Um lugar onde eu mostro o que ninguém vê… antes de virar história.A emoção que a maioria das criadoras de conteúdo esconde por medo e por que a raiva autêntica é uma das forças narrativas mais honestas que existem.

Tem uma emoção que aparece pouco no conteúdo de criadoras. Que é editada antes de chegar ao post, cortada antes de virar story, amenizada antes de ser publicada.

Raiva.

Não o tipo performático. Não o “estou indignada” dito com cuidado pra não afastar ninguém. A raiva real. A que aperta o peito. A que faz você digitar e apagar três vezes antes de postar. A que você sente mas guarda porque tem medo do que as pessoas vão achar.

Eu sinto raiva com frequência. E demorei muito pra entender que esconder essa raiva não estava me protegendo estava me diminuindo.

Deixa eu ser específica sobre o que me dá raiva. Porque vago não serve pra ninguém.

Me dá raiva quando eu vejo criadora de conteúdo sendo reduzida a “mãe que faz uns posts.” Como se o fato de ser mãe automaticamente tornasse o trabalho menos sério, menos legítimo, menos real. Como se eu precisasse provar algo a mais do que qualquer outra criadora que não tem filho que grita no fundo enquanto ela grava.

Me dá raiva o mercado de conteúdo que continua vendendo a ideia de que consistência é questão de força de vontade. Como se as pessoas que não conseguem postar todo dia fossem simplesmente preguiçosas e não estivessem tentando criar enquanto administram casa, filho, conta, saúde, relacionamento e ainda a própria cabeça que às vezes simplesmente não colabora.

Me dá raiva o conteúdo que romantiza a maternidade criativa sem mostrar o custo real. A foto bonita com o bebê e o notebook, a legenda sobre equilíbrio, a sugestão implícita de que dá pra ter tudo organizado ao mesmo tempo se você tiver método suficiente. Dá raiva porque é mentira. E a mentira bonita faz outras mulheres se sentirem inadequadas pela realidade que têm.

Me dá raiva quando eu vejo mulheres pedindo desculpa por existir no espaço que ocupam. Se desculpando pelo preço do produto. Se desculpando pelo texto longo. Se desculpando por ter opinião forte sobre o próprio trabalho.

Eu já fiz tudo isso.

E ainda faço, às vezes, quando a guarda baixa.

A raiva que eu sinto não é só pessoal. Ela aponta pra alguma coisa maior. Pra um padrão que vai além de mim, que existe no mercado, na cultura, no jeito como mulheres são ensinadas a ocupar espaço ou a não ocupar.

E quando a raiva aponta pra algo real, ela tem valor de narrativa.

Não é sobre desabafar. Não é sobre usar o conteúdo como catarse pessoal sem considerar quem vai ler. É sobre reconhecer que a raiva, quando é honesta e específica, ressoa. Porque outras pessoas estão sentindo a mesma coisa e não encontraram palavras pra isso ainda.

Quando você nomeia uma raiva coletiva, você faz algo que vai além de conteúdo. Você cria reconhecimento. Você dá linguagem pra um sentimento que estava sem nome. E isso cria um tipo de lealdade profunda porque a pessoa não está só concordando com você. Ela está se sentindo vista.

A diferença entre raiva que conecta e raiva que afasta é a especificidade.

Raiva genérica é ruído. “Estou cansada dessa indústria.” Ok. Que indústria? Cansada de quê especificamente? O que você viu, sentiu, viveu que te fez chegar aqui?

Raiva específica é narrativa. É a cena concreta. O momento exato. O padrão identificado com precisão suficiente pra que outra pessoa possa apontar e dizer isso, exatamente isso.

Eu não publico toda raiva que sinto. Tem raiva que é só minha e não serve pra ninguém além de mim. Tem raiva que ainda não processou o suficiente pra virar coisa pública sem me machucar.

Mas a raiva que aponta pra algo verdadeiro, que tem por baixo uma observação real sobre o mundo essa eu publico. Sem pedir desculpa. Sem amenizar demais. Sem transformar em “mas é claro que cada um tem sua jornada” no final pra não parecer grossa.

Porque suavizar a raiva real pra não incomodar ninguém é escolher a aprovação em vez da honestidade.

E honestidade é o que faz o conteúdo ficar.

Diário da Criadora Storytelling

Bom… se você chegou até aqui, talvez esteja sentindo a mesma coisa que eu senti por muito tempo…

criar conteúdo…
mas sentir que ninguém realmente conecta

explicar…
mas não ser lembrada

postar…
mas parecer que tá falando sozinha

Foi exatamente nesse lugar que eu estava… até perceber uma coisa que mudou tudo 👉🏻

o problema não era o conteúdo

era a forma como eu estava contando.

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luênia silva

CRIADORA UGC E CONTEÚDO CRIATIVO

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mas parecer que tá falando sozinha

Foi exatamente nesse lugar que eu estava… até perceber uma coisa que mudou tudo 👉🏻

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